Poesia
- Os Poemas Possíveis, 1966
- Provavelmente Alegria, 1970
- O Ano de 1993, 1975
Crónica
- Deste Mundo e do Outro, 1971
- A Bagagem do Viajante, 1973
- As Opiniões que o DL teve, 1974
- Os Apontamentos, 1976
Diário
- Cadernos de Lanzarote I, 1994
- Cadernos de Lanzarote II, 1995
- Cadernos de Lanzarote III, 1996
- Cadernos de Lanzarote IV
Viagem
- Viagem a Portugal, 1981
Teatro
- A Noite, 1979
- Que Farei Com Este Livro?, 1980
- A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
- In Nomine Dei, 1993
Conto
- Objecto Quase, 1978
- Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979
Romance
- Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
- Levantado do Chão, 1980
- Memorial do Convento, 1982
- O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
- A Jangada de Pedra, 1986
- História do Cerco de Lisboa, 1989
- O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
- Ensaio sobre a Cegueira, 1995
- Terra do Pecado
- Todos os Nomes
As obras de José Saramago encontram-se publicadas nos seguintes países: Espanha (Castelhano e Catalão), França, Itália, Reino Unido, Holanda, Alemanha (Edições na RDA e na RFA), Grécia , Brasil, Bulgária, Polónia, Cuba, União Soviética (Russo), Checoslováquia (Checo e Eslovaco), Dinamarca, Israel, Noruega, Roménia, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, Japão, Hungria, Suíça, Argentina, Colômbia, México.
O seu romance "Memorial do Convento" foi adaptado para a Ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título "Blimunda".
A peça de teatro "In Nomine Dei" foi adaptada para a Ópera por Azio Corghi, com o título "Divara".
O seu romance "Memorial do Convento" foi adaptado para a Ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título "Blimunda".
A peça de teatro "In Nomine Dei" foi adaptada para a Ópera por Azio Corghi, com o título "Divara".
Linguagem e estilo
Memorial do Convento é uma obra marcada por uma narrativa de ritmo
caudaloso, fluente, ritmado por frases longas, onde são utilizados ditados populares e
expressões que revelam uma sabedoria adquirida na vida quotidiana. As marcas de
oralidade são, igualmente, utilizadas ao longo de toda a obra. Saramago possui um
estilo muito próprio, dialogal e inconfundível, onde as regras do discurso são
aparentemente transgredidas: utiliza parágrafos com aproximadamente uma página,
com textos contínuos com diálogos neles inseridos, sem recorrer à utilização da
pontuação normalmente utilizada: os dois pontos, o travessão ou as aspas. A estrutura
não deixa de ser organizada, mas existem no texto linguagens que não correspondem
ao estilo discursivo habitualmente utilizado. “De facto, José Saramago parece ter
revertido ou radicado o processo de escrita ao modo próprio da fala. Enquanto o
discurso escrito obedece a um conjunto de preceitos linguísticos segundo a
normatividade da língua, o discurso oral permite a libertação deste modelo, deixando
soltar a linguagem em improvisos sintácticos, morfológicos, semânticos e até fonéticos,
que exprimem a vivacidade, a novidade e a originalidade da língua” (in REAL, Miguel.
Narração, Maravilhoso, Trágico e Sagrado em Memorial do Convento de José Saramago. Caminho,
Lisboa: Janeiro de 1996)
Exemplificando, a descrição de elementos espaciais ou de comportamentos e
atitudes das personagens mostra uma transgressão das regras linguísticas do texto
escrito, “levando à interpenetração de elementos descritivos e narrativos, à mistura
com diálogos e outros segmentos frásicos que tornam o discurso indirecto "diluído",
mais próximo de realizações próprias do discurso indirecto livre (onde as coordenadas
da narração reflectem uma polifonia enunciativa sem fronteiras claras).” (in PEIXOTO,
Maria José, e FONSECA, Célia, Dossier Exame, Português B, 12º ano, 1.ª ed., Edições Asa, 2001, pp. 173-
174.)
Muitas das passagens na obra remetem-nos para excertos com elevada
simbologia. Após a leitura da obra, é possível verificar que o autor “cria” um novo
discurso, proveniente da mistura dos discursos directo, indirecto e indirecto livre, que, 4
por vezes, torna difícil a sua diferenciação. Existe uma alternância entre o discurso
escrito e o discurso oral onde, por vezes, está intercalado o monólogo interior.